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Mesmo cautelosas devido à crise econômica, empresas privadas planejam tirar do papel 30 planos de investimentos, que vão de usina a terminal hidroviário
Por: Cadu Caldas
04/01/2016 - 02h01min
Croqui do futuro terminal hidroviário da Nidera Sementes em CanoasFoto: Reprodução/ZH / Reprodução/ZH
A desconfiança com o ritmo da economia em 2015, em meio à crise política que assola o país, afetou a tomada de decisão de empresas que já atuam ou que pretendiam instalar-se no Estado. Muitas, por cautela, puxaram o freio de mão em 2016. Mesmo assim, começarão a ser tirados do papel, pelo menos, R$ 3,55 bilhões em cerca de 30 projetos privados no Rio Grande do Sul neste ano, a maioria deles já planejados antes de 2015. Com isso, o valor dos investimentos em 2016 supera o que estava previsto para começar a ser executado ao longo do ano passado (R$ 2,34 bilhões). 


O maior desembolso deve vir de um empreendimento no setor de energia, capitaneado pela Bolognesi Engenharia e garantido em leilão federal ainda em 2014. A construção de uma termelétrica em Rio Grande – obra programada para começar entre maio e junho, depois de ser postergada duas vezes – representará um investimento de R$ 3 bilhões. O aporte na usina é dado como certo porque o governo já garantiu a compra da energia, dando aos investidores mais segurança do retorno financeiro.
— A construção da usina em Rio Grande é um marco. Além do alto valor investido, tem um prazo para ser concluída, porque existe um contrato com o governo federal. Significa que não vai atrasar. Nossa ideia é conquistar obras dessa envergadura todos os anos — afirma o secretário estadual de Minas e Energia, Lucas Redecker.
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Para o secretário, propor iniciativas que deixem projetos mais competitivos em leilões de energia é uma estratégia importante para o Rio Grande do Sul, porque valoriza uma das vocações econômicas do Estado – a geração de energia elétrica – e permite a atração de investimentos menos suscetíveis a crises.
Sem a chegada de grandes multinacionais e com a indústria local pressionada por custos mais altos, o tamanho dos empreendimentos neste ano será menor, em geral com projetos abaixo de R$ 30 milhões. Praticamente todos os empreendimentos contam com apoio do poder público por meio de isenções fiscais. A expectativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia é de que sejam gerados, ao menos, 7,7 mil empregos diretos, mas, como nem todas as empresas divulgam projeções de vagas, não há um número exato.
— O ano passado não foi tão ruim para investimentos como seria o esperado. Houve retração em setores mais dependentes de crédito, como o automotivo, mas em outros, como o alimentício e o de bens de consumo baratos, teve avanços — avalia Adriano Boff, diretor da Sala do Investidor, órgão estadual que busca facilitar a tramitação de projetos.
Alta do dólar beneficiou empresas exportadoras
A crise econômica e a previsão de mais um ano de recessão obrigaram empreendedores a acender o sinal de alerta. Investimentos antes considerados confirmados agora já são tidos como incertos. É o caso da fábrica de caminhões da chinesa Foton em Guaíba e da unidade de produção da multinacional francesa Airbus em Porto Alegre. O desempenho ruim da maioria dos indicadores econômicos assustou os investidores, apesar de o Brasil ser considerado um país "barato", com o dólar rondando os R$ 4.
Mas houve também quem foi beneficiado com a alta da moeda norte-americana. É o caso da Celulose Riograndense, que pretende investir R$ 200 milhões neste ano. Com produção voltada ao mercado internacional, a empresa vai realizar melhorias na tecnologia de proteção ambiental e no porto de Pelotas, no sul do Estado.
— Tivemos vantagem em relação a empresas voltadas exclusivamente para o mercado doméstico. Não houve medida de correção na economia, só aumento de impostos, o que inibe ainda mais o empreendedorismo — afirma o diretor-presidente da Celulose, Walter Lídio Nunes.
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Confirmados (considerados apenas projetos com investimento próximo ou superior a R$ 10 milhões)
R$ 3 bilhões
Bolognesi Engenharia
O projeto prevê a construção de uma usina termelétrica em Rio Grande. Embarcações transportarão o gás em estado líquido até um píer a ser construído no porto gaúcho. Ali, o combustível será convertido ao estado gasoso e enviado por tubulações a uma usina para ser queimado e gerar energia. O valor será investido ao longo de três anos. A previsão de entrega é janeiro de 2019, e a projeção é que gere de 1,5 mil a 3 mil empregos diretos na obra.

R$ 200 milhões
Celulose Riograndense
Responsável pelo maior investimento privado da história do Estado, R$ 5 bilhões na ampliação da fábrica em Guaíba, em 2013, a Celulose Riograndense projeta aplicar em 2016 mais R$ 200 milhões. Parte será destinada à planta 1 da unidade em Guaíba, e outra a Pelotas, na revitalização e melhora na operação do porto público do município. O local será equipado com um sistema de pesagem de caminhões e de drenagem e iluminação das áreas de manobra e disposição da madeira.

R$ 80 milhões
Nidera Sementes
A multinacional, com sede na Holanda, instalou duas unidades de recebimento de grãos e insumos – em Palmeira das Missões, no Norte, e em Arroio Grande, no Sul – em 2015 e planeja para 2016 a implementação de um terminal hidroviário no Rio dos Sinos, em Canoas, na Região Metropolitana. O objetivo é acelerar o escoamento da produção. A expectativa é de que o empreendimento comece a operar na safra de 2016/2017.

R$ 70 milhões
Vanzin
O projeto da empresa prevê a construção de 14 silos, sendo que cada um terá capacidade de armazenar 10 mil toneladas de grãos. Também está prevista a construção de um armazém, com 6,3 mil metros quadrados, que futuramente poderá estocar trigo, cevada e malte. O empreendimento vai ocupar uma área total de 65,8 mil metros quadrados no distrito industrial de Rio Grande.

R$ 60 milhões
Sul Empreendimentos
O projeto começa a ser tocado em março de 2016, em Nova Petrópolis. O Garten Platz Residence terá 340 apartamentos em cinco torres, dos quais 310 no modelo fractional ownership (propriedade compartilhada) e outros 30 de hotelaria convencional. As primeiras 68 unidades devem ser entregues em março de 2017.

R$ 48 milhões
IntelCav
Indústria de cartões magnéticos, a IntelCav pretende expandir a fábrica localizada em Getúlio Vargas. Criada em 2000, a empresa é uma das maiores fabricantes de cartões para bancos e soma mais de um bilhão de unidades já produzidas. A empresa tem outras duas fábricas no Brasil, uma em São Paulo e outra em Manaus. Em torno de 40 empregos diretos deverão ser criados com a ampliação da planta gaúcha.

R$ 30 milhões
Metalúrgica Mor
Situada em Santa Cruz do Sul, a empresa recebeu incentivos concedidos pelo Fundo Operação Empresa (Fundopem-RS) e pelo Programa de Harmonização do Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Sul (Integrar-RS) para investir em uma nova linha de produção de garrafas térmicas e produtos isotérmicos e implementar a fabricação de escadas profissionais. A expectativa é de que sejam gerados cem empregos diretos.

R$ 30 milhões
Davanti Solar
A empresa vai construir uma fábrica de módulos fotovoltaicos, utilizados para a geração de energia solar, no município de Camaquã. O investimento resultará em 25 empregos diretos e 20 indiretos.

R$ 18 milhões
Railinvestment
A multinacional de trilhos vai produzir em Cacequi dormentes metálicos térmicos, equipamentos onde são fixados trilhos da malha ferroviária. A projeção é de que a fábrica comece a operar no início do segundo semestre. Entre os clientes da companhia estão a América Latina Logística (ALL) e a Vale. Serão criados 50 empregos diretos.

R$ 12 milhões
JBT Telecom
A empresa, que atua na produção de torres metálicas, contêineres, suportes para antenas, peças e acessórios, vai realocar a unidade localizada em Santa Maria. Com a expansão no município, a produção atual, de 30 unidades por mês, vai dobrar. A expectativa é gerar 40 empregos diretos.

R$ 9,5 milhões
Vinícola Aurora
A planta da Cooperativa Vinícola Aurora, localizada em Bento Gonçalves, será ampliada. Novos equipamentos deverão ser adquiridos, o que resultará no aumento da capacidade produtiva de suco de uva natural e vinho para 8 milhões de litros por ano e de armazenagem para 3 milhões de litros por ano, com geração de mais 40 empregos diretos.

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A confirmar (podem sair neste ano, mas ainda não estão certos. Esses empreendimentos não entraram na soma de R$ 3,55 bilhões)
R$ 1 bilhão
Yara Fertilizantes
A multinacional de fertilizantes aguarda a garantia sobre a manutenção dos atuais parâmetros de impostos nas vendas interestaduais para tocar adiante o projeto de expansão da unidade que tem em Rio Grande. A expectativa é de que a obra seja executada em seis anos.

R$ 200 milhões
Foton
A montagem de modelos da marca chinesa de caminhões começará em uma linha industrial alugada no Estado a partir de janeiro. A construção da sede definitiva, em Guaíba, estava prevista para 2015, mas atrasou devido à indefinição sobre o repasse de financiamento de R$ 60 milhões do BNDES, por meio do Banrisul.

R$ 150 milhões
Airbus
A multinacional francesa, conhecida pela produção de aviões, planeja construir uma fábrica em Porto Alegre. A unidade, que produzirá equipamentos destinados à área de segurança pública, ficará na região do 4º Distrito, na zona norte da Capital. Ainda não há estimativa do número de empregos diretos e indiretos que poderão ser gerados.

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