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Está na planilha das indústrias processadoras de cana a perspectiva de produzirem até 30 bilhões de litros de etanol na safra 18/19. Podem até ficar nos mesmos 25 bilhões que foram marcados no ciclo corrente nas últimas três semanas, caso o mercado não atenda as projeções de agora por questões conjunturais, porém no planejamento operacional esse patamar de biocombustível já está apontado. E mais firme do que nesta mesma época do ano passado.
O diretor da consultoria Bioagência, lembra, porém, que essa diferença de 5 bilhões/l não é algo excepcional. A capacidade atual das usinas e destilarias é essa mesmo. “Então estaria se ocupando a ociosidade hoje existente”, completa Tarsilo Rodrigues.


Esse drive de 25 a 30 bilhões de litros planejados para a safra que se iniciará em abril de 2018 não foi muito bem observado no último trimestre de 2016 porque se previa menor oferta mundial de açúcar. E preços mais firmes. Portanto, o mix seria mais açucareiro.
Não foi, pelo menos até o início de terço final da safra 17/18. As usinas viraram a chave para etanol na última quinzena de setembro, com a esteira rodando, o que para Rodrigues “não é muito trivial, embora as empresas consigam”, e vão partir para algo entre 5 a 6% a mais de etanol até o final da temporada, totalizando 25 bilhões/l no Centro-Sul.
Não é um aumento muito significativo para a dinâmica do setor, mas que só consegue ser atingido pelas unidades que estão com mais folga, especialmente com sobra além dos contratos de exportações de açúcar, e as que são apenas destilarias, analisa Fernando Carvalho, da consultoria Canaplan. Muitos têm compromisso de exportações fechados até o ano que vem, portanto “não mudam a chave”, reforça o consultor da Bioagência.
Com a oferta mundial de açúcar melhor, e os preços em queda boa parte da temporada, as empresas foram se ajustando com seus compromissos até poderem desviar o caldo para o etanol. “Do ponto de vista industrial, não há nenhuma dificuldade técnica em pleno andamento do processamento”, confirma Fernando Carvalho.
“Processaram 2/3 da cana e faltando 1/3 ficou mais fácil poder mexer”, explicou Tarsilo Rodrigues.
Em termos gerais, se espera uma safra 17/18 esmagando entre 585/588 milhões de toneladas de cana e na ponta mais conservadora, pouca coisa acima de 600 milhões/t, que é a vista pela consultoria Datagro. Para os consultores a baixa na cana não atrapalhará a produção da indústria como se está prevendo agora.
E já se trabalha também com um volume menor na temporada 18/19, por conta da seca nos últimos tempos, o que não se pode assinar embaixo com todas as letras, segundo Carvalho, da Canaplan, porque se as chuvas forem boas até abril poderá haver recuperação.

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Por: Giovanni Lorenzon
Fonte: Notícias Agrícolas

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