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Folha traz pesquisa na edição deste domingo. Os tontos e as tontas ainda não perceberam que Lula já não tem mais nada a perder. Se perder a liberdade, há o risco, ainda assim, de ganhar... (por REINALDO AZEVEDO)
Lula lidera corrida presidencial em todos os cenários, diz DATAFOLHA
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial de 2018, segundo a última pesquisa do instituto Datafolha. Em diferentes cenários, o petista aparece com pelo menos 35% das intenções de voto, em vantagem significativa sobre o principal adversário.
Na segunda colocação, há um empate técnico entre Jair Bolsonaro (PSC) e Marina Silva (Rede). Em distintos cenários, ele tem entre 16% e 17%, e ela varia de 13% a 14%. 
Pela primeira vez na série de pesquisas do Datafolha, Lula lidera também em todos os cenários de segundo turno. A exceção seria uma eventual disputa com o juiz Sérgio Moro – nesse caso, haveria empate técnico. 
Em julho, Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão, no caso em que foi acusado de ter recebido um apartamento em Guarujá (SP) como parte de um pagamento de propina da empreiteira OAS.

Comentário de REINALDO AZEVEDO:

"Só para lembrar, antes de tudo: no dia 17 de fevereiro escrevi a seguinte frase na coluna da Folha: “Se todos são iguais, Lula é melhor”. Eu advertir para o fato que de que a Lava Jato e a direita xucra estavam ressuscitando Lula como opção eleitoral.  Agora vamos seguir.
Existe o Xiririca da Serra Pesquisas. Já ouviu falar? Não? Você tem dinheiro? Encomende uma pesquisa a seu gosto, e o Xiririca da Serra Pesquisas oferece. O Xiririca da Serra Pesquisas pode até fazê-lo o homem ou mulher mais desejados do país, ainda que você esteja mais para Béla Lugosi no papel de vampiro ou para Dona Bela, da Escolinha do Professor Raimundo. O Xiririca da Serra Pesquisas vende tudo o que o seu dinheiro pode comprar, e isso inclui — by Nelson, aquele… — “o amor verdadeiro”.
E existe o Datafolha. E olhem que não é raro eu afrontar os critérios do instituto. Já aconteceu não uma nem duas vezes. Sei lá quantas. Mas o Datafolha não oferece o número que você quer ver ou o seu dinheiro de volta. O Datafolha nem vende nem se vende. Posto isso, vamos à obra que a insanidade jurídica, o direito achado na rua e a direita xucra estão oferecendo ao país. Quem está gostando do jogo é o general Hamilton Mourão, inclusive do jogo jogado por certa cobertura política incendiária, que agora declara, abertamente, que a lei não tem importância no caso Aécio. Se não importa no caso dele, importa em qual?
A Folha deste domingo traz uma pesquisa eleitoral para a Presidência. Apenas alguns dados foram divulgados. O levantamento foi feito na quarta e na quinta, depois da condenação de Lula, depois da nova novela sobre os recibos, depois da carta-vômito de Antonio Palocci, depois do general Mourão, depois de os porcos e as leitoas saírem por aí a pregar um golpe transitório.
Sabem o que aconteceu em relação ao levantamento anterior? Aumentou a vantagem de Lula em relação a seus adversários. O menor índice que ele obtém é 35%. No segundo turno, ele vence todos os adversários. Na pesquisa de junho, Marina (Rede) ainda empatava com ele. Agora, não mais. Ah, sim: Sergio Moro talvez vencesse. Nesse caso, há empate técnico, como havia em junho, com meros dois pontos de diferença, com o demiurgo de toga numericamente à frente. Mas Moro não será candidato. Ele só continuará como o principal cabo eleitoral de Lula.
Em segundo lugar, mas empatado tecnicamente com Marina, está Jair Bolsonaro, para o delírio da direita do onanismo ideológico. O que é onanismo ideológico? É aquela gente que se contenta só com o próprio crescimento, entendem? No fim da história, acabam ficando na mão. O folclore que se leva a sério — e que deve ser levado a sério, advirto —marca 16% ou 17% a depender do cenário. Marina, fica com 13% ou 14%. Os tucanos Geraldo Alckmin e João Dória têm 8%.
O que vocês querem que eu diga? Que tal o que eu disse no dia 30 de abril, no texto que comentava a pesquisa Datafolha daquele mês. O link está aqui. O título era este: “DATAFOLHA 1: Lula cresce, Bolsonaro disputa 2º. Parabéns, xucros!”
Bem, o cenário de terror está desenhado com todos os números pela mais recente pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial de 2018. O instituto ouviu 2.781 pessoas, nos dias 26 e 27 deste mês em 172 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O levantamento, pois, foi feito depois da divulgação da Lista da Odebrecht e das “confissões” de Léo Pinheiro a Sergio Moro. E, no entanto, Lula lidera as intenções de voto no primeiro turno em todas as simulações em que aparece seu nome. Também venceria a maioria dos adversários no segundo turno. Ele só empataria tecnicamente com Marina Silva e Sergio Moro… Ai, ai…
Há dias, quando foram divulgados dados do Ibope sobre potencial de votos dos candidatos — e também lá havia a informação de que 30% votariam em Lula com certeza —, alguns bocós da direita, incapazes de fazer um “o” com o copo, berraram: “Esperem os efeitos da Lista da Odebrecht e do depoimento de Pinheiro…”. E eu escrevi aqui e disse na rádio e na TV: do ponto de vista penal, a situação de Lula se agrava; eleitoralmente, estar ou não em listas, ter seu nome citado ou não por delatores, tudo isso já não atinge mais negativamente a sua imagem.
Pois é, né? Quanto apanhei quando afirmei que a direita xucra estava ressuscitando Lula e o PT!!! Quanta pancadaria vinda de vigaristas, pistoleiros e bucaneiros porque acusei a Lava Jato, o Ministério Público Federal e Rodrigo Janot, em particular, de igualar desiguais, de meter no mesmo saco de gatos pardos o caixa dois com e sem contrapartida.
Na minha coluna da Folha de 17 de fevereiro, comentando justamente dados de uma pesquisa, sintetizei: “Se todos são iguais, então Lula é melhor”.
E, antes que entre nos números, uma observação fundamental. Eu não antevejo a eleição de Lula. Há uma boa possibilidade de que esteja condenado em segunda instância até lá — caso o MPF consiga provar que apartamento e sítio são mesmo dele. Se vai ou não ser candidato, se será eleito “com certeza” ou “derrotado com certeza”, isso é conversa de tolos, de demagogos, de gente chinfrim.
A minha questão é outra e já estava naquela coluna da Folha: “AINDA É CEDO, CLARO! MAS UMA SOCIEDADE DIZ ALGUMA COISA DE SI MESMA, DO PROCESSO POLÍTICO E DO FUTURO QUANDO UMA MÉDIA DE 30% DOS ELEITORES, MESMO DEPOIS DE TUDO, ESTÁ COM LULA. E PODERIA SER DIFERENTE? A INDIGNAÇÃO COM A CORRUPÇÃO E OS DESMANDOS DO PT DEGENEROU DEPRESSA EM MORALISMO TACANHO, EM ÓDIO À POLÍTICA, EM CONTÍNUA DEPREDAÇÃO DE PROCEDIMENTOS MESMO OS MAIS CORRIQUEIROS DA ATIVIDADE.”
Vídeos de gritantes nulidades morais e intelectuais pipocaram contra mim nas redes. Sim, houve candidatos a gurus e a Goebbels da periferia que chegaram a antever o meu fim… E, no entanto, fazer o quê? Acertei todas. Eles erraram todas. E continuam a falar e a fazer bobagem! Seria vergonhoso se houvesse vergonha naquelas paragens. Mas essa não é uma herança que todo pai deixe, não é?, como naquela música. E seus rebentos não haveriam de inaugurar a tradição da decência. Avante!
Volto aos dias atuais
É claro que Lula pode ser condenado em segunda instância e, a permanecer inalterada jurisprudência do Supremo, pode até ser preso. Não seria candidato por vontade de juízes, não da população. Isso teria seu preço no futuro. Se eu tivesse de escolher, ele concorreria. Para ser derrotado.

Ah, sim: as páginas de direita se divertem exibindo um Lula velhinho, alquebrado, cabelo ralo, sofrido, ar até humilhado às vezes. Não perceberam que isso também pode ser um ativo eleitoral. E por que não? Falta de leitura e do que Paulo Francis chamaria “experiência social”.

E se Lula ficar de fora? Eleitor do petista prefere Marina Silva para 2018 (GAZETA DO POVO/PARANÁ PESQUISAS)

Em um cenário para as eleições de 2018 sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa, quem leva a maioria dos votos que seriam do petista é a ex-senadora Marina Silva (Rede), segundo a mais recente sondagem do Instituto Paraná Pesquisas (veja os resultados).
Lula pode ficar impedido de concorrer por causa de problemas com a Justiça. Ele já foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro a 9 anos e meio de prisão e, se tiver a condenação confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), vai ficar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.
Nesse caso, 21,5% dos eleitores de Lula prefeririam Marina. O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), leva 11,4% dos votos do ex-presidente, enquanto o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que substituiria Lula na sondagem, levaria apenas 10,3% dos votos de Lula. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), conseguiria abocanhar 7,5% dos eleitores petistas caso Lula não concorresse.
Cerca de 30% dos eleitores de Lula disseram não votar em nenhum dos outros candidatos. Outros 4,3% disseram não saber em quem votar caso o petista não pudesse concorrer.

Cenário 2

Em um cenário sem Lula e sem Doria, e com o governador de São Paulo Geraldo Alckmin como candidato tucano, pouco muda na distribuição dos votos que seriam do ex-presidente. Nesse cenário, Haddad teria 12,5% dos votos de Lula e Alckmin 4,4%.

Quadro geral

No quadro geral, Lula ainda é líder absoluto nas intenções de voto. Ele tem cerca de 26% das intenções de voto, em cenários com Doria ou Alckmin disputando a Presidência pelo PSDB. Quem mais cresce na disputa de 2018 caso o ex-presidente não possa concorrer às eleições é Marina Silva (Rede). Ela salta de 9,7% das intenções de voto no primeiro cenário para 15,4% na disputa sem o petista. Ela ficaria em segundo lugar na disputa, perdendo para o deputado Jair Bolsonaro (19,6%) e na frente de João Doria (13,5%).
Também cresceriam na disputa sem o petista os candidatos Joaquim Barbosa (8,9%); Ciro Gomes (7,4%), Alvaro Dias (4,4) e Henrique Meirelles (2,3%). Possível substituto de Lula na corrida presidencial, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), ficaria com apenas 3,4% das intenções de voto.

Dados técnicos

A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de setembro de 2017, em todo o território nacional. Foram ouvidos 2040 eleitores com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos e o grau de confiança atinge 95%.

E se Lula não concorrer?

Veja como ficariam os votos se o ex-presidente estiver de fora da disputa:

Cenário 1 – Com Doria

Cenário 2 – Com Alckmin

Fonte: Paraná Pesquisas. Infografia: Gazeta do Povo.

26% votariam com certeza no candidato de Lula

ainda que não participe diretamente do pleito, ele será um de seus protagonistas. E poderá ser ainda mais perigoso se estiver na cadeia ou, sei lá, impedido de sair de casa, em prisão domiciliar
Vejam os números da pesquisa do Datafolha para a Presidência da República. Não há mais dúvida sobre as consequências da obra do Ministério Público Federal, da Lava Janto em especial e, muito particularmente, de Rodrigo Janot. Ao igualar a todos na pia batismal da corrupção, ressuscitaram Luiz Inácio Lula da Silva como opção viável para 2018. Pior: como já adverti aqui, a partir de agora, quanto mais baterem em Lula, mais ele cresce.
Repetiu-se a maldição ancestral do moralismo, constituído dos miasmas que emanam do túmulo da moral: seus próceres começam a sua saga perseguindo, de fato, criminosos e, se deixados à vontade, sem freios, chegam ao fascismo, enforcando em praça pública mesmo os honestos que eventualmente não reconhecerem a sua santidade. Nesse sentido, Janot até nos prestou um serviço involuntário: ao levar adiante a obsessão de derrubar Michel Temer, fez um acordo indecoroso com Joesley Batista e ajudou a trazer à luz os porões criminosos em que MPF e PGR estavam atuando. Os efeitos de seu trabalho de devastação, no entanto, estão aí. Falemos um pouco dos números.
Se a eleição fosse hoje, Lula chegaria à frente, e com folga, no primeiro turno e venceria todos os seus potenciais adversários no segundo. Lembram-se de Sérgio Moro, o santo do centro-sul mais ou menos endinheirado? Num hipotético enfrentamento com o petista, haveria empate técnico entre ambos, com o juiz numericamente à frente por apenas dois pontos: 44% a 42%, mesmo resultado de junho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
As situações simuladas desta vez não são idênticas às de junho, mas dá, sim, para constatar o avanço do petista. Há três meses, quando ele tinha como adversários Marina Silva (Rede), Jair Bolsonaro (PSC), e João Dória (PSDB), chegava a 30% dos votos. Desta feita, está com 36%. Bolsonaro variou de 15% para 16%; Marina, de 15% para 14%, e Dória, de 8% para 9%. Trocando-se o candidato tucano por Geraldo Alckmin, que marca os mesmos 8% de antes, o petista fica com 35% (na anterior, 30%). O teto dos tucanos era de 10% em simulações anteriores. E se manteve.
Verifica-se, também uma tendência de crescimento de Lula no segundo turno. Em junho, venceria o confronto com Dória por 45% a 34%; neste mês, 48% a 32%. Contra Alckmin, ligeira variação numérica: passa de 45% para 46%; o tucano mantém os mesmos 32%. O petista empatava com Marina em 40%; agora, ele a venceria por 44% a 36%. Contra Bolsonaro, variação de um ponto percentual na diferença em favor do ex-presidente: 45% a 32% antes; 47% a 33% agora. Esses números são coerentes com o que se verifica na rejeição. Sim, a de Lula caiu: em junho, era de 46%; agora, está em 42%.
Como explicar?
Há muita coisa ainda a considerar sobre a pesquisa. Chegaremos lá. Dificilmente será Lula o candidato do PT. O mais provável é que seu recurso seja julgado pelo TRF4 antes das eleições. Os próprios petistas consideram remota a hipótese de absolvição. Estou entre os que avaliam que a eventual vitória de Lula poderia ser muito ruim para o país. Nestes tempos de Lava Jato, o discurso do partido se deslocou para a esquerda, tornando-se reativo e ressentido. Por temperamento e estratégia, o chefão petista poderia até investir na conciliação, mas as milícias partidárias iriam querer guerra — e o provável é que encontrassem do outro lado os dispostos ao confronto.
Mas não comemorem o fato de que deve ficar fora da eleição aquele que chega a ter 36% da preferência do eleitorado no primeiro turno e que bate, com folga, todos os seus oponentes diretos no segundo. Tomando como base 144 milhões de eleitores, até 51,84 milhões votariam nele de saída; contra seus adversários, até 69,12 milhões poderiam fazer essa opção. Sem Lula, o petista Fernando Haddad consegue 2% ou 3% dos votos apenas, mas nada menos de 26% dizem que votariam, com certeza, num candidato apoiado pelo ex-presidente. É bem verdade que, em 2014, esse índice era de 37%. Sim, foi o ano em que Dilma venceu a reeleição, e a Lava Jato ainda não existia. Esses 26% representam uma massa de 37,44 milhões.
A ser verdade que 26% votariam com certeza no candidato de Lula, ainda que não participe diretamente do pleito, ele será um de seus protagonistas. E poderá ser ainda mais perigoso se estiver na cadeia ou, sei lá, impedido de sair de casa, em prisão domiciliar. Já escrevi aqui tantas vezes: nada mais abala a sua reputação. Se a condenação, decidida por Sérgio Moro, e a carta-demolição de Palocci não lhe arrancaram um só voto — cresceu depois desses eventos —, o que poderia fazê-lo? Notem: esses 26% poriam esse hipotético candidato em primeiro lugar.
Alguém duvida da centralidade do PT no esquema conhecido como “petrolão”? Nos 13 anos em que o partido ficou no poder, alguém conseguiu rivalizar com ele no controle dos órgãos de Estado? Se estava mesmo em curso aquela engenharia criminosa acusada pelos empreiteiros, que legenda dava as cartas, ainda que outras pudessem ser beneficiárias da roubalheira?
Quando o MPF, Janot e seus menudos assanhados igualam a todos na bacia das almas caídas da corrupção, os setores médios da sociedade — com mais acesso ao berreiro das redes sociais, menos dependentes de programas assistenciais e mais sensíveis à virulência do discurso moralista — se descolam dos partidos e líderes que antes se opunham ao PT, que também sofre prejuízos imensos, sim, mas com uma diferença: tem um eleitorado cativo que aos outros falta.
O meritório trabalho de combate à corrupção da Lava Jato deixou-se contaminar por um projeto de poder de uma parte da burocracia estatal, perdeu-se em ações escancaradamente ilegais e devastou a classe política, conduzindo amplos setores da sociedade à descrença ou à radicalização. Ao mesmo tempo, essa gente, que se expressa com tanta eloquência no bueiro do capeta em que se transformaram as redes sociais, muito pouco fala ao coração e às dificuldades dos mais pobres.
Eis a obra desses salvacionistas de meia-tigela. Caminhamos para uma disputa eleitoral de resultado absolutamente incerto; acumulamos um impressionante estoque de ilegalidades nesse tempo, que outros tentarão reproduzir adiante, e o único líder que sobreviveu, ainda que vá para a cadeia, é Lula.
Entregassem ao diabo a tarefa de desenhar um cenário pior, e ele não faria melhor.

Preocupados com a economia, empresários se articulam para influenciar eleições (no ESTADÃO)

A um ano das eleições, o mundo empresarial está se movimentando para estruturar uma rede capaz de influenciar o resultado das próximas eleições – da disputa por cadeiras no Congresso Nacional à corrida presidencial. A articulação do setor produtivo rumo à linha de frente da política começa a ser desenhada em reuniões de pequeno porte, realizadas fora de instituições tradicionais de representação de categorias – como a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – e que envolvem líderes de algumas das maiores companhias do País.
 O movimento mais oficial é o Renova Brasil, capitaneado por Eduardo Mufarej, do fundo Tarpon, que é sócio de negócios como BRF (dona de Sadia e Perdigão) e Somos Educação. O Renova tem esse nome porque se dedica à mudança do perfil do Congresso. O grupo tem pedido apoio financeiro a nomes do porte de Jorge Paulo Lemann (do fundo 3G), Abilio Diniz (ex-Pão de Açúcar, hoje sócio da BRF e do Carrefour), Armínio Fraga (ex-presidente do BC e sócio da Gávea Investimentos) e o publicitário Nizan Guanaes. A iniciativa foi antecipada nesta semana pela coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy.
A lista de empresários se movimentando para influenciar o cenário de 2018 é bem mais extensa. Seja em pequenas reuniões – como jantares e encontros privados – ou em grupos de WhatsApp, as lideranças ainda tateiam como proceder, mas creem que não podem mais se abster. “O empresário moita ficou fora de moda”, diz Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, um dos principais rostos da renovação do elo entre empresas e política. 
À frente há mais de 20 anos de outra grande varejista, a Renner, o executivo José Galló faz um mea culpa, compartilhado por outros empresários ouvidos pelo Estado: a situação da economia piorou porque boa parte dos líderes do setor produtivo se absteve de tentar influenciar o que ocorre em Brasília. “O fato é o seguinte: todos permitimos que isso (a crise) acontecesse”, afirma Galló. “Então hoje há grupos que estão preocupados com a gestão do País, independentemente de partidos. Os grupos estão se formando, e isso é muito bom.”
A articulação se dá também no campo virtual: um grupo de WhatsApp chamado “João Doria Acelera” reúne 140 pessoas, incluindo Rocha e Artur Grynbaum, do Grupo Boticário.
Lideranças empresariais disseram ao Estado que, entre os que têm se articulado para debater as eleições de 2018, estão ainda nomes como Jayme Garfinkel (Porto Seguro), Carlos Jereissati Filho (Iguatemi), Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Walter Schalka (Suzano), Rubens Ometto (Cosan) e Pedro Passos (Natura). Procurados, eles não comentaram ou não responderam os contatos.
Segundo um empresário que já participou de alguns debates, as conversas estão longe de um consenso. “A gente fala, fala, fala. E tem hora que desanima porque não sabe o que fazer. Mas estamos buscando uma solução”, disse. “Após o PIB cair 8% em dois anos, está claro que não dá para deixar o barco correr.” 
Outro desafio é o fato de ainda não ter surgido uma liderança que organize esse movimento. “Há um componente de medo que impulsiona as conversas. A economia está frágil. O empresário quer ter certeza que o próximo presidente vai dar conta do recado”, diz um grande investidor.
Candidatos. Uma das questões debatidas é sobre como a influência dos empresários poderia se materializar. A hipótese mais provável é o apoio a um candidato estabelecido e com chances claras de vitória – os dois preferidos são João Doria e Geraldo Alckmin, do PSDB. No “time” Doria, por exemplo, está Rocha, enquanto Rubens Ometto, segundo fontes, é entusiasta de Alckmin. 
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, corre por fora. Há a avaliação que, por ora, sua contribuição na equipe econômica é mais valiosa. “Prefiro o Henrique focado na transição do que disperso tentando uma candidatura”, diz um empresário. Já Marina Silva, que nas eleições de 2014 recebeu apoio explícito de Neca Setubal, da família proprietária do Itaú, e já teve em 2010 como vice Guilherme Leal, da Natura, não foi mencionada pelos empresários ouvidos. AoEstado, Neca disse que “não terá nenhuma participação na campanha” da possível candidata; Leal não respondeu.
Há quem defenda que o setor produtivo deva ter um candidato criado dentro de casa. O Partido Novo, de agenda liberal, vem atraindo nomes para seus quadros, como o economista Gustavo Franco. Deve lançar o ex-banqueiro João Amoêdo à Presidência. A principal meta é ter força no Congresso. “Queremos eleger 30 deputados”, diz Moisés Jardim, presidente do Novo. 
Dentro do meio empresarial, há esperança de que nomes mais conhecidos se interessem pelas eleições. Entre os nomes ventilados estão o de Rocha, da Riachuelo, que nega a intenção de se candidatar. Já Salim Mattar, da Localiza, não esconde suas pretensões políticas, mas diz que não se preparou para deixar seus negócios a tempo da próxima eleição. Outro nome citado é o de Fabio Barbosa, ex-presidente do Real e do Santander, que sempre negou a intenção de concorrer.
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Fonte: RedeTV/UOL + ESTADÃO

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