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O mineiro Onevan de Matos, deputado estadual do PSDB, não esconde sua satisfação ao se lembrar dos seus primeiros passos como advogado em solo do então Mato Grosso, mais precisamente em Naviraí, onde tem forte base eleitoral. “O município era carente de infraestrutura, mas de uma pujança extraordinária”, diz ele que chegou à região do Cone-Sul em 1975, deixando a cidade de Jales (SP), onde morava desde os 16 anos. Não demorou para que voltasse a pulsar, agora em nova terra, o sangue da política – e da oposição – em suas veias. A conquista do primeiro mandato como deputado estadual o levou a participar da elaboração da Carta Magna do recém-nascido Estado de Mato Grosso do Sul e ter em sua história a aprovação pela já Assembleia Legislativa do primeiro projeto de lei que era de sua autora, no caso, a criação do município de Itaquiraí. Atualmente é o único parlamentar constitucionalista na ativa. Daquela época para cá o que mudou na política? A resposta vem rápida: “É completamente diferente. Não tinha essa história de dinheiro em campanha política. Campanha era espontânea, feita por amizade, por ideologia. Agora, virou quase um comércio”.

Com oito mandatos no Legislativo em sua jornada política, Onevan contabiliza também atuação no Executivo quando foi eleito prefeito de Naviraí, município cuja economia tinha como base as serrarias (eram mais de 50 na região), depois tornou-se forte na pecuária e, hoje, vive o boom na produção de grãos.

Onevan não era novato na arena da disputa eleitoral quando chegou ao Mato Grosso uno, na cidade que escolheu para morar depois de visitar um irmão. Cumpria seu segundo mandato de vereador em Jales quando decidiu renunciar e montar escritório de advocacia e atender a região. A política estava, porém, latente em sua vida. “Meu perfil político sempre foi de oposição, desde a época do Jango Goulart e naquela época existia realmente a oposição que era contundente, permanente, com ideologia levada a sério.”

Campanha de apenas um comício para ser conhecido na região

O parlamentar explica que em 1976 decidiu disputar eleição para prefeito em Naviraí. “Precisava ser conhecido politicamente. Aí me lancei candidato e fiz apenas um comício, mas consegui eleger meu irmão vereador que foi o mais votado.” Na época, o Brasil vivia sob o regime militar e havia apenas dois partidos: a Arena (que apoiava os militares) e o MDB (oposição). Onevan volta a frisar que a ideologia política era, então, muito bem definida e isso dava o norte às campanhas eleitorais. “Quem tinha a mesma ideologia fazia campanha pela amizade; não tinha esse negócio de grande aparato, não se falava em dinheiro.”

A campanha, à época, era no estilo espartano: um caminhão que servia de palanque, o mesmo aparelho utilizado no carro de som durante o dia era pendurado no poste para o comício da noite. Em 1978, Onevam disputou eleição para deputado estadual pelo MDB. Ele disse que procurou saber quem era os nomes fortes do partido, conhecendo então Walter Pereira (que chegou a senador da República), pai do hoje deputado estadual Beto Pereira, seu colega de bancada, Na época, eram 18 vagas e ele foi o oitavo mais votado. Os parlamentares vitoriosos integraram a Assembleia Constituinte. A posse foi feita pelo então presidente da República Ernesto Geisel com o ministro da Justiça Armando Falcão, quando da instalação do Estado em 1º de janeiro de 1979. A Constituição teve como relator o deputado Ramez Tebet e a Constituinte tinha como presidente Londres Machado. “Eram 11 parlamentares da Arena e sete do MDB.” Onevan ganhou sucessivos mandatos, e é atualmente uma das referências políticas do Estado.

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