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Cara leitora autoentusiasta, se permite, gostaria de me confessar. Confesso que fui um Zé Gasolina, esclarecendo que Zés Gasolina são os homens que se rendem facilmente à mulheres possuidoras de um carrão bacana, de preferência um esportivo conversível.

O esportivo não ajuda, mas a Marilyn dispensa ajudas 

E acho que ainda sou um Zé Gasolina; sendo que a única coisa que mudou é que hoje eu não entraria no carro. Afinal, sou casado há quase trinta anos, tenho três filhas moças, portanto, sou carta descartada do jogo. Além do mais, há o medo, pois os 55 anos de erosão me causaram tantos estragos que a mulher que mostrar interesse por esta figura deve enxergar tão mal que não merece confiança ao volante.

Mas esse quadro decrépito não me impede de ter umas dicas a lhe dar da arte da sedução.

Sedução é uma arte, sim, e, como toda arte tem dois componentes, o que é inato e o que é desenvolvido com a técnica. A sedução inata, como se sabe, já nasce com a mulher e dela emana naturalmente, e é essa que nos encanta mais profundamente; e há a sedução técnica – aquela que a mulher aprende com a mãe, as irmãs, as amigas, as avós, e desaprende com as revistas femininas.

Pois então, e já que nunca fui convidado a ouvir aulas femininas sobre técnicas de sedução, me resta comentar sobre as capas dessas revistas femininas que sempre sobram em nossa "sala de leituras". Depois de ler infinitos títulos idiotas, tipo, “Aprenda Novos Exercícios Para Erguer o Bumbum!", ou "101 Maneiras de Acabar com a Celulite", ou "O Que Eles Mais Gostam na Cama", elejo aqui um bom título que nenhuma dessas revistas sem assunto bolou: "Ande de Carro Esporte e Conquiste o Homem da Sua Vida!"

Isso mesmo, moça; estou falando sério. Se você quer um carro que seja tiro e queda para derrubar um sujeito, não compre jipe tipo suve ou outro carro sem graça desses que apregoam por aí que impressionam os homens. Jipe suve é um veículo feito pro homem correr a roça levando peão suado ou desbravando mato levando índio. Compre um esportivo e aprenda a assobiar.

Imagine a situação: Você, moça, está de esportivo, de preferência um conversível de capota arriada – você pode ter uma celulitezinha, pois, ao contrário do que dizem essas revistas sem assunto, a gente não liga a mínima pra isso –, e você viu um sujeito que te parece interessante de bobeira andando na calçada. Pare, assobie, e nem precisa falar nada, porque o sujeito não vai titubear e vai pular de cabeça no seu colo.

Viu como é simples? Mas não deixe de treinar o assobio, porque gostamos que as mulheres assobiem pra gente. Não ligamos de ser tratados como objeto; até gostamos, pois sentimo-nos valorizados.

Infelizmente, no Brasil poucas são as mulheres dirigindo esportivos. Talvez não o façam por imaginarem que isso atrairia assaltos, coisa da qual discordo. Bandido sabe muito bem o valor dos carros, melhor que a gente. Você já viu bandido roubando Rolex ou bolsa Louis Vuitton falsos? Não. Então bandido sabe muito bem quanto custa um suve ou outro carrão qualquer.

Imagine só um bandido seqüestrando uma moça num conversível? Quer maior bandeira que isso?

Bandidagem às escâncaras só rola na política. Na rua vale a dicrição, e é por isso que bandido visa carrão com os vidros filmados
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Camaro 1979. Por favor, tenha um com câmbio manual. OK? (foto www.howstuffworks.com)

Consultando minha memória, dos anos em que eu ainda era livre e não tinha dona, lembro de umas moças, curiosamente todas loiras e bem-humoradas, que tinham esportivos, sendo que duas delas mandavam uma bota legal. Infelizmente não foi no Brasil e nenhuma era brasileira. Um Camaro dourado em Las Vegas – essa era a fraca de guiada e o seu Camaro era 6-cilindros e tinha câmbio automático, portanto, ambos valiam pelo visual mas tinham pouco punch – um Datsun 240Z prateado, bom de chão e bom de ronco (6-cil), em Sydney, e um Escort laranja motor mexido, comando bravo e dois Weber deitados, duplos, em Brisbane. O carro era do irmão, preparado por ele, e ela tanto encheu que o irmão o vendeu pra ela.

Escort preparado. É gostoso ver carro de macho sendo bem tocado por uma  linda mulher (www.butterfunk.com)

Nenhum realmente esportivo, mas todos, sim, com espírito esportivo. Foi muito divertido e pouco guiei porque eu estava curtindo umas de objeto.

O Datsun 240Z foi um dos mais belos esportivos japoneses (www.classiccars.com)

O que me levou a escrever estas linhas, foi que outro dia, meses atrás, ia eu calminho de bicicleta na calçada quando escuto um delicioso ronco de V-8 e do outro lado da rua pára um Mustang Boss cor-de-laranja câmbio manual e dele saiu uma pernona comprida e junto com a pernona veio uma loiraça de arrebentar. Esqueci da vida e quase que meto a cabeça num poste.

Outro dia, semanas atrás, num fim de tarde quente ia eu calminho de bicicleta na calçada quando escuto um delicioso ronco de V-8 e veio vindo um Corvette Stingray ano 68 ou 69, vermelho, sem capota e nele uma morenaça de cabelão solto passa acelerando na pegada e cambiando de 2ª para 3ª. Esqueci da vida e quase que meto a cabeça num poste.

Corvette Stingray 1969. Imagine uma bela morena ao volante (www.gran-turismo.wiki.com)

Foram dois casos lindos e raros, que espero venham a ser mais constantes; desde que a prefeitura passe logo esses fios para debaixo da rua e acabe com esse monte de postes que tem por aí.

E caso reste alguma dúvida à cara leitora quanto aos meus conselhos, escreva consultando os amigos leitores aqui do AUTOentusiastas. Aposto minha bicicleta que nenhum moço disponível resistiria a um convite assobiado desses.

Ah! E tal como costumam perguntar as revistas sem assunto: "Quer Levar Seu Gato à Loucura?" Aprenda a pilotar na finesse, se é que você já não o sabe, faça curvas redondinhas, tangencie nos pontos certos e faça uns belos e suaves punta-taccos. Aí o cara pira de vez e estará pego no anzol.

 AK

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