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Escrever um roteiro é uma tarefa bastante desafiadora. Ao mesmo tempo em que é preciso descrever com detalhes as características físicas e as ações dos personagens, é necessário também criar diálogos e dar forma a cenas que ajudem a mover a trama para frente.
A complexidade da escrita para audiovisual exige atenção máxima de quem escreve. Embora os roteiristas fiquem cada vez mais familiarizados com o processo ao passar do tempo, é difícil evitar deslizes no desenvolvimento ou até mesmo na formatação dos roteiros.
Confira abaixo os erros mais comuns de roteiro e como evitá-los.

Erros de ortografia e gramática

Alguns roteiristas, principalmente no começo da carreira, se preocupam bastante com o desenvolvimento da história e prestam pouca atenção aos erros de ortografia e de digitação. Esse tipo de problema pode gerar interpretações equivocadas, além de dificultar a leitura do seu roteiro.
Dedique um tempo para revisar o texto com a ajuda de ferramentas presentes em seu software de roteiro. Consulte dicionários online, caso haja dúvida em relação ao uso de alguma palavra ou expressão. Ao final, releia o roteiro, página por página, se possível com ele impresso.

Formatação incorreta

Hoje em dia os softwares de roteiro formatam automaticamente o seu projeto, enquanto você escreve. Se você faz uso de programas pagos do Celtix ou do Final Draft isso não é algo que você deva se preocupar.
Caso você ainda não esteja disposto a pagar pelo uso de um software, utilize plataformas gratuitas como o WriterDuet, que possui todas as ferramentas necessárias para a escrita de um roteiro profissional.
No mais, evite escrever o nome do personagem em caixa alta toda vez em que ele aparece no roteiro. Use a caixa alta somente na primeira vez em que o personagem aparecer na história, juntamente com a idade e uma breve descrição física.

Personagens estereotipados

Fugir do clichê é um desafio e tanto. É comum que as nossas primeiras ideias sejam impregnadas de jargões e lugares-comuns. No desenvolvimento de personagens, é normal que recorramos a estereótipos, como o herói imbatível, o vilão desalmado e a mocinha em perigo, criando personagens chapados, sem profundidade, que dão origem a histórias sem originalidade.
Para escapar disso, assegure-se de que seus personagens tenham uma motivação tangível, que faça com que eles se comportem de maneira única e original. Dedique-se ao desenvolvimento do perfil de cada um deles, debruçando-se sobre as camadas mais profundas de suas personalidades.
Muitos roteiristas gostam de desenvolver a história pregressa, ou backstory, de seus personagens. Essa técnica é bastante válida para “entrar” na cabeça deles, mas tem pouca função no desenvolvimento do roteiro. Lembre-se de que a vida do seu personagem começa no momento que sua história começa.

Desviar do conflito central

Antes de começar a escrever o seu roteiro, é provável que você tenha desenvolvido uma narrativa com arcos dramáticos bem definidos, com começo, meio e fim, ao longo de um processo que começa pela storyline e termina com a escaleta, passando pela escrita do argumento cinematográfico.
Roteiristas iniciantes, sem familiaridade com esse processo, ignoram etapas fundamentais do desenvolvimento de uma narrativa audiovisual, partindo logo para a escrita do roteiro. Com isso, criam histórias que fogem do conflito central da trama, que deveria ter sido estruturado na storyline (que é o primeiro passo criar uma história para o cinema).
Para evitar que isso aconteça, desenvolva sua narrativa passo a passo antes de entrar na escrita do roteiro propriamente dito, definindo um conflito central que seja capaz de mover seus personagens numa narrativa permeada por ações e reviravoltas.
Consulte manuais de roteiro em caso dúvidas. Se você ainda não possui nenhum, descubra os cinco manuais de roteiro que podem ajudar na escrita do seu projeto audiovisual.

Diálogos muito expositivos

Todo bom roteiro, além de contar uma história que prenda o público, precisa também de certa dose de gestão de informação. Para acompanhar a narrativa, o espectador necessita compreender de forma clara a dimensão do conflito dos personagens, bem como os seus objetivos, que podem mudar, conforme o desenrolar da trama.
Gerir a informação por meio de diálogos é uma possibilidade, mas não a única. Uma das chaves para escrever um bom roteiro é se valer de formas criativas na hora de passar informações para o público, criando, para isso, ações, metáforas visuais, ou até mesmo deixando o conflito em suspenso por alguns momentos.
Evite monólogos extensos que paralisam a narrativa e deixam o espectador entediado. Quando usar voice over, certifique-se de que a narração está ajudando a criar novas camadas de significação para a imagem e não simplesmente descrevendo o que se passa na tela.

Indicação de planos

decupagem técnica do roteiro literário é parte do trabalho da equipe de direção. Portanto, não se preocupe em detalhar movimentos de câmera e fazer indicações de planos cinematográficos. Isso será posteriormente debatido de forma exaustiva entre o Diretor e o Diretor de Fotografia, no momento da produção do roteiro técnico.
Atenha-se ao essencial de seu roteiro: ações, diálogos e descrição dos ambientes e personagens. Se você imaginou uma trilha sonora para uma cena, é possível fazer a indicação dela no roteiro. Contudo, tome cuidado com o uso de muitas músicas no seu filme, pois o custo com a liberação de direitos autorais pode inviabilizar a produção do seu projeto.

Rubricas nas descrições de cena

As descrições de cena devem se limitar a narrar o que será mostrado na tela e deve conter somente aquilo que puder ser traduzido em som e imagem. No entanto, muitos roteiristas usam o espaço para descrever o estado emocional dos personagens ou até mesmo o que está se passando por sua cabeça, naquele momento.
Herança do teatro, as rubricas são usadas nos roteiros cinematográficos para indicar estado de ânimo, mudanças de tom e pausas nas falas dos personagens. Portanto, caso você queira indicar que seu personagem está triste, alegre ou subiu o tom de voz, use as rubricas para isso.
Uma dica: após terminar de escrever a descrição da cena, pergunte-se: Isso pode ser filmado? Caso não se possível, reescreva até encontrar uma solução para que os eventos da sua cena possam se traduzidos em sons e imagens.
Entregar um roteiro sem erros pode parecer uma tarefa muito difícil, se você pensar que um roteiro de longa metragem tem em média 120 páginas. Mas não é impossível. O processo de revisão pode parecer entediante para muitas pessoas mas é essencial para entregar um trabalho consistente e de qualidade, evitando erros comuns de roteiro.

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