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Brigadeiro tradicional
Se você é brasileiro, provavelmente clicou neste post pela receita de leite condensado caseiro, porque, brigadeiro nós sabemos fazer de olhos fechados.
Mais do que um doce, o brigadeiro se tornou uma forma dos brasileiros demonstrarem carinho, sobretudo para as crianças, mas a maioria dos adultos não resiste aos encantos desse mimo.
Tanto é assim que os brigadeiros hoje são dados como presente. Porque quase não há quem não goste – na verdade, algumas pessoas não gostam muito ou, pior, preferem o brigadeiro branco.
Mas tudo bem, porque já há alguns anos virou moda o “brigadeiro gourmet”: de limão, de maracujá, de canela, ovomaltine, leite ninho, Nesquick (chamado bicho-de-pé), nozes, romeu e julieta… Há até versões mais sofisticadas que se inspiram em outras culinárias mundiais, como o brigadeiro de crème brûlée e o de gengibre.

Receita de brigadeiro tradicional
Mas o bom e velho brigadeiro tradicional é imbatível. Usa apenas três ingredientes (na verdade, apenas dois são essenciais), é praticamente impossível errar a receita e fica pronto em menos de 20 minutos.
Chocolate, leite condensado e manteiga ou margarina, uma panela pequena e uma colher de pau: é tudo o que você vai precisar. Depois, é só fazer as bolinhas e passar no chocolate granulado.
Apesar de altamente calórico e com muito mais açúcar do que deveria, o leite condensado é a base da confeitaria brasileira. Quando eu era mais nova, achava que era a base da confeitaria mundial. Quando morei na Suíça, senti falta do produto nos supermercados e na despensa. Perguntei à minha amiga, que já morava na Europa há mais de dez anos, onde estava o leite condensado.
Ela me falou que lá “quase ninguém come”, e que às vezes eles usam no café (misericórdia). Achei em formato de bisnaga no supermercado, tão escondidinho que a gente teve que procurar. Aqui no Brasil, temos prateleiras cheias de leite condensado, de várias marcas, mas tem uma que se sobressai. Inclusive, de uma marca suíça. Vai entender.
Receita de brigadeiro
Semana passada, perguntei à minha irmã que mora na Alemanha como é o relacionamento deles com o leite condensado. Ela falou que lá ele é quase proibido (!!!) porque é muito cheio de açúcar (de fato), e quase não tem nutrientes. Ela vai em lojas chinesas – que “têm de tudo” – e em lojas brasileiras para comprar a latinha dela de leite condensado, tão sagrada para nós quanto a farinha láctea (também desprezada por lá), o guaraná Antartica e o cuzcuz, assim como a farinha de mandioca e o feijão.
Como aceitar que um produto proibido em países desenvolvidos é tão amado no Brasil? Damos leite condensado a nossas crianças, e comemos quase todos as semanas algo com o produto, seja no pudim, nos doces, nos recheios de tortas, nas sobremesas geladas…
Até doce de leite a gente faz com leite condensado.
Pra mim, acho que a solução está no equilíbrio. Não podemos viver à base de leite condensado, assim como não devemos viver à base do chocolate ou de hamburguer, ou da batata frita.
Sei que leite condensado não é saudável. Mas tenho certeza que, quando eu tiver filhos, vou fazer brigadeiros para eles. Acho que há mais na comida do que apenas os ingredientes. Há o amor que colocamos nela. E o brigadeiro é um dos doces com mais amor que existe.
Brigadeiros
Neste post, reuni as receitas de brigadeiro (para quem ainda não sabe fazer e para os leitores estrangeiros), com algumas variações mais comuns: beijinho de coco, cajuzinho, bicho-de-pé, bem casado, assim como as receitas do leite condensado caseiro e do leite condensado de soja, para quem quiser criar uma variação vegana. Você encontra o leite condensado de soja à venda em lojas de produtos naturais. Apesar de ser mais caro, acho mais gostoso que o tradicional, porque é mais leve e não tem aquele gostinho enjoativo no final. Se eu pudesse, só usava o de soja.

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