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O Brasil parece não ter aprendido nada com o caso do jovem negro assassinado diante das câmeras no Extra. É o que revela um novo episódio lamentável, agora na Caixa Econômica Federal. Tudo ocorreu diante dos olhos da filha da vítima

Pouco mais de dez dias depois da morte de um jovem negro no Supermercado Extra na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, um caso de agressão policial motivada por racismo aconteceu em uma agência da Caixa Econômica Federal de Salvador (BA).
O episódio aconteceu no último dia de 19 de fevereiro, mas só foi tornado público nesta terça-feira (26) após a divulgação das imagens acompanhadas do relato da vítima.
A denúncia foi feita por Crispim Terral, de 34 anos. Ele relata que a confusão começou após um dos gerentes do banco o deixar por quase cinco horas à espera de atendimento.
“Momento terrível e absurdo. Em pleno século XXI, fui tratado de forma ríspida e claramente fui vítima de preconceito racial”, lamentou Crispim.
Humilhado na agência e tendo o atendimento negado por dois gerentes, Crispim irritou-se e um dos funcionários da Caixa teria acionado a Polícia Militar.
A PM sugeriu que todos fossem para a delegacia para prestar esclarecimentos. No entanto, o gerente disse que só iria se Crispim fosse algemado e que não “faz acordo com esse tipo de gente aí (sic)”.
Toda a humilhação aconteceu diante de sua filha, que o acompanhava na agência.
VÍDEO:
Leia a íntegra do relato de Crispim:
Olá meus nobres irmãos e amigos. Para quem não me conhece, meu nome é Crispim Terral, tenho 34 anos, sou casado e pai de 5 filhos. Por ser um homem possuído pelo amor, mantenho o respeito, a humildade e a verdade com uma tranquilidade que incomoda a muitos.
Com muita tristeza eu venho por meio deste relato expressar a minha indignação e revolta contra o preconceito racial.
Ao me dirigir à Caixa Econômica Federal do relógio de São Pedro na terça-feira (19/2/2019) para buscar meu direito como cidadão e cliente, fui solicitar um suposto comprovante de pagamento de dois cheques pagos pela Caixa Econômica sendo que os dois cheques estão devolvidos por motivos 11, 12 (motivo 11: sem fundo, motivo 12: sem fundo pela segunda vez)
Sendo que os mesmos estão em minhas mãos. Fui também requerer a devolução de R$ 2056,00 (dois mil e cinquenta e seis reais) retirados de minha conta há dois meses e 21 dias indevidamente.
Pela oitava vez, desta vez na companhia de minha filha menor, fui surpreendido. Mais Uma Vez pelo Sr. Mauro, gerente responsável pela minha conta naquele momento que me atendeu de forma indiferente enquanto me deixou esperando na sua mesa por quatro horas e quarenta e sete minutos e foi atender outras pessoas em outra mesa.
Indignado com a situação, me dirigi a mesa do gerente general, o Sr. João Paulo, que da mesma forma e ainda mais ríspida me atendeu com mais indiferença. Quando Pensei que não poderia piorar fui surpreendido pelo senhor João Paulo com a seguinte fala: “se o senhor não se retirar da minha mesa vou chamar uma guarnição”; e assim o fez, chamou a guarnição.
Dois policiais me pediram no primeiro momento de forma educada para que pudéssemos nos dirigir juntamente com o gerente até a delegacia para prestar esclarecimentos; até aí tudo bem. O problema foi que ao descer ao térreo da agência o gerente, senhor João Paulo, falou que só iria à Delegacia se os policiais me algemassem, e que ele “não faz acordos com esse tipo de gente”.
Eu tenho um vídeo desse momento terrível e absurdo, está disponível para vocês verem em pleno século 21 fui tratado de forma ríspida e claramente fui vítima de preconceito racial.
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