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As especulações sobre os resultados concretos da 12ª rodada de negociações entre China e Estados Unidos que aconteceu entre estas terça (30) e quarta-feiras (31) em Xangai são muitas neste momento e agências internacionais começam a noticiar que a nação asiática teria se comprometido a comprar mais produtos agrícolas norte-americanos, de acordo com um comunicado da Casa Branca. 
Do mesmo modo, a mídia chinesa South China Morning Post noticiou que o país de fato teria concordado em ampliar suas compras nos EUA depois de conversas "francas, eficientes e construtivas entre as duas nações". 
De Pequim, poucos detalhes foram revelados, principalmente sobre quais produto serão adquiridos pelos chineses, informou a agência estatal de notícias Xinhua. Mais do que isso, as notícias dão conta ainda de que "os Estados Unidos teriam concordado em criar condições mais favoráveis para estas importações". De Washington, a informação também foi bastante sucinta, apenas comunicando que as conversas serão retomadas em setembro. 
Apesar dessas declarações, especialistas continuam afirmando que um acordo real e efetivo ainda estaria bastante distante e que o caminho necessário de ser percorrido para ser alcançado é bastante tortuoso. A primeira confirmação seja, talvez, a reação bastante clara dos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. 
As cotações têm, nesta quarta-feira, mais uma nova rodada de baixas no mercado futuro norte-americano. Por volta de 13h15 (horário de Brasília), os principais contratos perdiam entre 8,75 e 9,25 pontos, com o novembro/19 - principal referência para a nova safra norte-americana - sendo cotado a US$ 8,87 por bushel. 
Especialistas ouvidos pelo South China Morning Post afirmam que a urgência para a China em terminar com essa guerra comercial parece mais amena neste momento, dada uma desaceleração de seu crescimento se mostrando menos intensa e preocupante do que o mercado esperava. E apesar das ameaças de Donald Trump, os líderes chinesas seguem muito atentos a este período que antecede as eleições presidenciais de 2020 nos EUA, mesmo não apostando em uma vitória democrata no ano que vem.
No Brasil, Steve Cachia, consultor da Cerealpar e da Agro Culte explica que o momento atual poderia ser, de fato, um pouco mais vantajoso para a China.
"A bola agora está com os chineses, e os americanos já mudaram o tom de voz após os tweets de Trump ontem. O fato é que, apesar das palavras, desta vez mais diplomáticas do pós reuniao, não houve acordo!O que vai acontecer agora? Provavelmente até a reunião de setembro nada", diz. 
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Em um artigo publicado nesta quarta na Bloomberg, o colunista especializado em commodities David Fickling afirma que "há menos esperança ainda de uma retomada das exportações agrícolas norte-americanas" diante desta pouca evoluçao das negociações comerciais entre China e EUA. "As atuais tensões causaram um golpe duradouro que pode levar décadas para cicatrizar", acredita Fickling. 
E o especialista justifica suas opiniões baseando-se, inclusive, no fortalecimento das relações comerciais entre China e Brasil, citando a visita do Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, ao Brasil na última semana. Algumas farpas foram trocadas entre representantes de Brasília e Pequim desde a eleição pde Jair Bolsonaro, mas, aparentemente, superadas. E vida comercial que segue. 
Da mesma forma, Trump anunciou nesta semana que vai trabalhar para firmar um acordo forte de livre comércio com o Brasil. "O Brasil é um grande parceiro comercial. Eles nos cobram um monte de tarifas, mas, fora isso, nós amamos o relacionamento", disse o presidente americano a repórteres nesta terça-feira emuma entrevista concedida na Casa Branca. 
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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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