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Carolina Heringer
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William da Silva Lima, conhecido como Professor, um dos fundadores da maior facção criminosa do Rio, morreu na madrugada dessa quarta-feira. Ele tinha 76 anos e sofreu um enfarte na casa onde morava com a família, na Zona Sul do Rio. O corpo de Professor foi enterrado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, também na Zona Sul, na tarde desta quinta-feira.
Com a saúde frágil nos últimos anos, William contava com o auxílio de um cuidador. Professor ficou preso durante mais de três décadas. Atualmente, cumpria pena em regime aberto e era monitorado por uma tornozeleira eletrônica. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Rio, Professor tinha condenações que somavam 95 anos e seis meses de prisão por crimes como assaltos a banco, extorsão e sequestro.
A maior facção criminosa do Rio surgiu em 1979, no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, com o convívio entre presos comuns e políticos. William foi um dos fundadores da quadrilha junto com Rogério Lemgruber. Professor era uma espécie de representante dos presos, redigia petições para os detentos e cartas para autoridades. Ele escreveu o livro “400 x 1 - Uma história do Comando Vermelho”, na qual contou o surgimento da facção. Lançada pela editora ANF Produções, um braço da Agência de Notícias das Favelas, a história foi transformada em filme em 2010.

William durante o lançamento de seu livro
William durante o lançamento de seu livro Foto: Tiago Nascimento

O título "400 contra um" é uma referência ao cerco policial que resultou na morte do assaltante José Jorge Saldanha, o Zé Bigode, na década de 80, na Ilha do Governador. Foram 12 horas de tiroteio intenso e cerca de quatro centenas de policiais mobilizados.
Professor foi casado por mais de 30 anos com Simone Barros Correa de Menezes, que o conheceu ainda quando era detento na Ilha Grande. Ele tinha quatro filhos, três deles com a atual companheira.
Na tarde desta quinta-feira, Simone postou em seu Facebook a imagem de uma pomba branca com a leganda "liberdade".

Postagem de Simone, mulher de Professor
Postagem de Simone, mulher de Professor

Em 2017, em entrevista ao jornal O GLOBO, William opinou sobre a situação do sistema prisional brasileiro. Na época, Professor criticou o fato dos presos serem separados por facções e não pela gravidade dos crimes cometidos, como acontece no Rio e na maioria dos estados do país.
— O que acontece é que todos ficam no mesmo lugar. Misturam-se os presos, muitos nem foram condenados. A passagem pelo sistema penitenciário se transforma num curso de especialização para o crime — avaliou.
Na entrevista, William também relembrou os motivos que levaram à criação da maior facção criminosa do Rio:
— Não havia regras de comportamento naquela época nos presídios. Um preso desrespeitava o outro. Imagina um pai de família sendo violentado, estuprado. Ou um detento que tinha seus pertences roubados, algo que a mãe trazia numa visita para o filho e, quando ela ía embora, outro pegava. A Falange Vermelha veio para criar leis de convivência, um código de conduta, pedir respeito ao preso, isso era necessário — relembra.

https://extra.globo.com/casos-de-policia/morre-william-professor-um-dos-fundadores-da-maior-faccao-criminosa-do-rio-23848272.html?fbclid=IwAR3IjSZNVD-1GCnVH9H1PU3Xmkh6GhgqRd9lqLLYPZQPPzCGP-uva6NbMDc

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