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Escrito por: Rafael Massadar
Transferir o financiamento do carro é mais comum do você pensa e sem complicações. Isso acontece, geralmente, porque cada vez mais os brasileiros estão endividados e não têm mais condições de arcar com as parcelas.
Surpresa ou não, apesar do endividamento e da crise, os brasileiros voltaram a financiar cada vez mais veículos. Em 2017, por exemplo, foram 5,1 milhões entre novos e usados.
Esses números representam um crescimento de 9,7% em relação a 2016. É a primeira vez, em sete anos, que o mercado de crédito de veículos registra crescimento.
Os dados foram divulgados pela B3, que opera o sistema Nacional de Gravames (SNG). De acordo com o SNG, em 2018, foi ultrapassada a marca de 4 milhões de unidades financiadas.
Para efeito de comparação, em 2017, foram financiados 3,7 milhões de veículos, considerando o mesmo período (janeiro a setembro). A alta foi de 7,5% na comparação entre os anos.
Considerando apenas o mês de setembro, os financiamentos de veículos novos e usados permaneceram estáveis. Os dados apontam para uma alta de 1,1% na comparação com o mesmo mês de 2017.
Apesar do aumento no número de financiamentos, depois de alguns quilômetros rodados e algumas parcelas pagas, alguns brasileiros acabam se apertando no orçamento.
E, em consequência, não conseguem pagar o financiamento até o final. Nessa situação, vender o carro e transferir as parcelas para outra pessoa surge como uma saída.
transferir o financiamento do carro
Financiamento é opção para comprar um carro novo

Como transferir o financiamento do carro?

A transferência da dívida de financiamento só pode ser feita entre duas pessoas físicas ou duas pessoas jurídicas. Não é permitido que a mudança seja de uma física para jurídica ou vice-versa.
O repasse exige também que uma quantidade mínima de prestações já tenha sido paga. Essa quantidade varia em cada instituição financeira.
Se você pretende transferir o financiamento do carro, o primeiro passo é entrar em contato com o banco ou instituição financeira credora.
Na ocasião, fale sobre o desejo de passar o financiamento de veículo para outra pessoa e informe sobre o novo candidato.
Consequentemente, o credor avaliará o histórico de crédito e a capacidade financeira da pessoa que vai assumir as parcelas.
Depois da aprovação do crédito, é necessária a assinatura de um instrumento. Além da alteração de cláusulas do contrato e o pagamento da tarifa de Aditamento Contratual.
Com o sinal verde, você e a outra pessoa deverão realizar a transferência de modo a deixá-lo livre do pagamento das parcelas. Além de se livrar também de qualquer obrigação com o veículo.

Fique atento aos pré-requisitos

Ao procurar uma instituição financeira para realizar a transferência, é importante conhecer alguns pré-requisitos que serão cobrados para a conclusão do procedimento.
Em geral, os bancos cobram do interessado em trocar o financiamento os mesmos documentos solicitados no ato da compra do carro.
São eles:
– RG;
– CPF;
– Comprovante de renda atualizado;
– Comprovante de residência;
– Holerites;
– Imposto de Renda;
– Extrato de movimentação bancária nos últimos três meses;
– Certificado de Registro do Veículo (CRV);
– Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Quanto ao veículo, é importante que não tenha nenhum débito, como multas e atrasos de impostos. Lembre-se de regularizar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Até porque pode impedir que a titularidade do automóvel seja alterada. Tenha cuidado, porém, com contrato de gaveta, aquele que é feito sem conhecimento do credor.
Ele é um risco eterno para as partes. Desse modo, o novo devedor não tem seu nome ligado ao bem e à pessoa.
transferir o financiamento do carro
Conheça os pré-requisitos para transferir o financiamento do carro
Uma dica é só passar a chave do carro ao novo comprador depois que a transferência do financiamento for aprovada pelo banco. Imagine só se a análise de crédito não for aprovada e a pessoa já estiver com o veículo?
Por isso, antes de entregar a chave, tenha certeza da aprovação oficial e que as parcelas serão transferidas sem nenhum problema!

Como é feita a renegociação da dívida

O ideal é evitar transferir o financiamento do carro para outra pessoa. Portanto, negocie o valor da venda do veículo com o credor.
Mas, saiba que cabe à instituição ou banco decidir se aceita ou não o pagamento parcelado para quitação de débitos.
Sempre que esse acordo é realizado, ele deve ser formalizado em contrato, com cópia entregue ao consumidor. Se o contrato é quebrado, normalmente o acordo é desfeito.
Havendo nova negociação, do total anteriormente devido devem ser subtraídas as quantias pagas e acrescentados os encargos relativos ao período de inadimplência.
A partir do resultado, é feito um novo cálculo para quitação do débito. Afinal, é direito do consumidor, assegurado pelo Código, solicitar o cálculo discriminado do total cobrado.
Esse cálculo não pode conter valores relativos à contratação de escritórios de cobrança ou honorários advocatícios.
No caso do comprador de um veículo ainda em financiamento, é necessário pagar uma taxa de transferência da dívida, variável de R$400 a R$600, a depender do banco.
Outro requisito é ir até o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para pagar a taxa de transferência do veículo. Os valores mudam conforme as regiões do país.

A importância do planejamento financeiro

Para evitar ter que transferir o financiamento do carro para outra pessoa e deixar de usufruí-lo é importante fazer um planejamento financeiro.
Portanto, procure adquirir um carro que caiba no seu bolso, tanto para pagar as parcelas quanto para fazer a manutenção.
Em primeiro lugar, considere que não é recomendado ter dívidas acima de 20% do seu patrimônio. Isso inclui os valores que você já gasta com o seu cartão de créditocheque especial e financiamento imobiliário.
O financiamento do carro ou da moto deverá se encaixar nesse limite. Isso sem considerar as suas despesas fixas com alimentação, moradia, transporte e educação, que devem levar até 50% da sua renda bruta.
Ou seja, para um bom planejamento financeiro deve sobrar 30% do que você ganha bruto para gastar com lazer e vestuário.
Além de eventualidades como remédios e gastos com tratamentos médicos, caso sejam necessários, e também para investir e ter retorno financeiro.
Por fim, considere ainda o gasto com o seguro do carro. Antes de comprar, consulte três ou quatro corretoras sobre o valor do seguro e a forma de pagamento.

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