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1. REDUÇÃO DE SALÁRIOS



Não tem cabimento aprovar a proposta do governo Bolsonaro de redução de salários, seja na iniciativa privada, seja no setor público. Não é momento para esse tipo de medida. Em um momento de crise econômica, isso vai agravar ainda mais a situação, é algo que vai na contramão do que vários países do mundo estão fazendo.



Sou contra qualquer proposta que tenha como objetivo a redução de renda dos trabalhadores, seja de qual setor for.



2. REDE DE SOLIDARIEDADE



Uma das coisas que vai ajudar nosso país a superar essa crise é a solidariedade. Com certeza, muitos de nós terão que ajudar suas famílias, seus amigos, pessoas que muitas vezes se encontram numa situação pior que a nossa.



Como os trabalhadores poderão fazer isso se perderem parte do seus salários?



É importante que o governo aplique recursos nas empresas ou repasse dinheiro direto aos trabalhadores para que as famílias mantenham suas rendas e possam, assim, ajudar aqueles familiares e amigos que vão precisar de apoio.



3. QUESTÃO FISCAL



O governo Bolsonaro parece estar cego diante da gravidade do momento e segue preso à política fiscal do ministro Paulo Guedes. Não é hora de se preocupar com déficit fiscal. É como nosso ex-presidente Lula falou esta semana: primeiro salvamos o povo, depois a economia. A hora é de salvar vidas, de ajudar o povo a superar a pandemia do coronavírus e suas consequências.



Não podemos esquecer que a maior parte do PIB brasileiro está atrelado ao consumo das famílias. Por isso, a melhor forma de minimizar os terríveis impactos da pandemia do coronavírus na economia é colocando renda na mão das famílias. Do contrário, além da quebradeira econômica, corremos o risco de ver um estado de convulsão social.



4. EXEMPLOS DE OUTROS PAÍSES



O governo do Reino Unido anunciou o adiamento de pagamentos de impostos no valor de 30 bilhões de libras (174 bilhões de reais) pelas empresas até o final de junho. Também anunciou que vai conceder subsídios em dinheiro para pequenas empresas e ajuda para trabalhadores autônomos, inquilinos e desempregados. Isso inclui bancar 80% do salário dos trabalhadores, até 2.500 libras (14.500 reais) por mês, para qualquer empregado que seja licenciado e não demitido. Tudo para garantir que não haja redução na renda das famílias por conta do fechamento temporário de serviços e empresas.



Os Estados Unidos anunciou que vai enviar dinheiro diretamente às famílias americanas como parte de um pacote de estímulo à economia que pode chegar a 1 trilhão de dólares, como forma de conter o impacto da pandemia do coronavírus no país. As propostas em discussão entre o governo americano e os congressistas prevê o repasse de 1.000 dólares (5.000 reais) para cada americano. Além disso, o Tesouro dos Estados Unidos está flexibilizando os prazos para pagamento de impostos, com permissão para até 90 dias de adiamentos sem previsão de multas ou taxas. As pessoas físicas vão poder postergar o pagamento de impostos de valores até 1 milhão de dólares e empresas de até 10 milhões.



O governo de Portugal anunciou que os trabalhadores autônomos vão receber do governo uma ajuda financeira. O benefício vai durar por até seis meses, no limite máximo de 438 euros (2.400 reais) por mês. Na França, o governo anunciou uma redução, adiamento ou cancelamento de cobranças de até 32 bilhões de euros somente em março. E não está descartada a estatização de empresas, se necessário. E O governo espanhol informou que vai garantir até 100 bilhões de euros em empréstimos às empresas.



5. TRABALHADORES INFORMAIS



Em relação aos trabalhadores informais, é ridícula a proposta de dar um auxílio de apenas 200 reais. O que as pessoas vão conseguir comprar com 200 reais? O auxílio deve ser de pelo menos um salário mínimo.



6. PARCERIA COM ESTADOS E MUNICÍPIOS



De nada vai adiantar propor auxílio aos trabalhadores informais se o governo não conseguir fazer o dinheiro chegar até a ponta o mais rápido possível.



Para fazer o dinheiro chegar nas pessoas, é fundamental que o governo federal rapidamente faça uma parceria com os governos estaduais e prefeituras, que já conhecem suas populações e possuem mecanismos que podem agilizar a distribuição dos recursos para a população.



O governo federal precisa deixar de lado a vaidade e trabalhar em conjunto com os estados e municípios. Precisamos de uma rede de apoio à população onde os governos federal, estaduais e municipais sejam os protagonistas.



VANDER LOUBET
Deputado Federal (PT-MS)



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Éder F. Yanaguita
Jornalista e profissional multimídia

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