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Ao contrário dos modernos navios de cruzeiro, esse hotel flutuante foi concebido exclusivamente para se deslocar suavemente pelas águas no entorno da Grande Barreira de Corais, na costa de Townsville, em Queensland, na Austrália. No entanto, 32 anos depois de ir para a água pela primeira vez, o “The Floater” (O Flutuador), como passou a ser conhecido, viajou cerca de 14 mil quilômetros, até ancorar, em 1998, na região turística de Mount Kumgang, na Coréia do Norte, onde se encontra atualmente, à espera de uma decisão sobre seu futuro, nas mãos do ditador Kim Jong-un.

Com sete andares, quase 200 quartos, boate, bares, restaurantes, um heliporto, uma quadra de tênis e um observatório subaquático de 50 lugares, esse hotel flutuante (construído em Singapura, ao custo US$ 42 milhões) nasceu do sonho do empresário Doug Tarca de oferecer a visualização do incomparável recife australiano a bordo de uma embarcação confortável. Durante o período de um ano, a enorme estrutura operou como unidade da rede canadense de hotéis de luxo Four Seasons, que o batizou de Barrier Reef Resort. Porém, nunca chegou a exercer sobre os turistas a atração que seu idealizador imaginava, passando a acumular prejuízos.

Antes que o negócio naufragasse, seus proprietários o colocaram à venda. Foi quando o Vietnã entrou na história, transferindo o hotel flutuante para a cidade de Ho Chi Minh (3 300 milhas náuticas dali), onde o Four Seasons deu vez ao Saigon Floating Hotel.

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Ancorado no rio Saigon, o “The Floater” emplacou durante oito anos (de 1989 a 1997) como uma boate popular. Até que perdeu o encanto e trocou de comando novamente. Seu destino? O que ninguém poderia imaginar: a região turística de Mount Kumgang, na Coréia do Norte, onde ancorou em 1998! Nessas alturas, já acumulando 14 mil km navegados, somando-se os deslocamentos de Singapura para a Austrália, depois dessa para o Vietnã e deste para a Coréia do Norte — ou seja, o hotel já viajou mais do que muita gente.

Localizado na fronteira entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul, Monte Kumgang permitia que o navio flutuante recebesse turistas das duas Coreias. Assim, foi seu porto seguro durante dez anos. Até que, em 2008, a bordo do resort, uma mulher sul-coreana foi morta a tiros por um soldado norte-coreano, e as excursões foram suspensas. Desde então, muita água salgada passou sob seu casco, sem que suas instalações voltassem a ser reabertas.

Em 2018, Kim Jong-um e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, concordaram em reabrir o resort. Mas, de acordo com o líder norte-coreano, isso só seria possível depois que o incrível navio flutuante passasse por uma grande reforma, pois suas estruturas “não apenas são muito atrasadas em termos de arquitetura como parecem tão surradas”. Em janeiro de 2020, o governo norte-coreano disse que a reconstrução foi adiada, devido à pandemia de coronavírus.

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