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Fugir do lugar comum traz repertório aos estudantes, expande o entendimento sobre o mundo e ressignifica o aprendizado para a vida


A arte na escola tem o poder transformador de desenvolver a criatividade e a capacidade intelectual, ensinar a solucionar problemas, desafiar limites e aumentar o repertório cultural. Incorporar o tema nas práticas pedagógicas ainda faz pensar fora da caixa, aprimora habilidades motoras e o pensamento crítico e analítico.
Em uma entrevista a revista Época, a professora Ana Mae Barbosa, uma das principais referências no estudo de arte-educação no Brasil, falou sobre a contribuição que o ensino de artes traz à aprendizagem, possibilitando aos seres humanos a capacidade de simbolizar e de representar ideias e sentimentos.
“É absolutamente importante o contato com a arte por crianças e adolescentes. Primeiro, porque são envolvidos, além da inteligência e do raciocínio, o afetivo e o emocional, que estão sempre fora do currículo escolar. Segundo, porque estimula o desenvolvimento da inteligência racional, medida pelo teste de QI”, explica.
A educadora destaca que grande parte de qualquer produção artística é feita no coletivo, o que desenvolve o trabalho em grupo e a criatividade, e ainda reforça o exercício da cidadania.
A teoria pode ser comprovada pela pesquisa feita pelo professor James Catterall, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. O estudo indica que o envolvimento das crianças em atividades criativas abre portas para uma melhor aprendizagem e ainda eleva em 15% a chance de se engajarem em trabalhos pela comunidade ao longo da vida. Isso porque, como aponta o professor, essas atividades aumentam a empatia e propiciam laços de amizade mais sólidos.


O ensino de artes contempla quatro linguagens: dança, artes visuais, teatro e música.Colocando em prática

tendência mais atual sobre a disciplina mistura produção, reflexão e apreciação de obras artísticas. Ela permite que crianças e jovens não apenas conheçam as manifestações culturais da humanidade e da sociedade em que estão inseridas, mas também sejam capazes de se expressar por diferentes linguagens.
Além de desenvolver a criatividade e proporcionar o desenvolvimento integral, as brincadeiras podem ser divertidas. Na educação infantil, por exemplo, as crianças, podem experimentar e reproduzir o mundo à sua volta, comunicando os seus sentimentos, medos e desejos.
Seja por meio do ensino de artes ou em outra disciplina, confira algumas dicas de como explorar a criatividade dentro e fora da sala de aula.
Repensando espaços comuns: expandir o território escolar também é uma forma de potencializar a aprendizagem. É possível fazer interferências nos muros ou no entorno da escola: aproveitar áreas externas, as praças, os parques ou até o caminho de para chegar até a escola.
Oficinas de artes: Que tal instalar a oficinas de artes em espaços mal aproveitados da escola, como o saguão de entrada? Os corredores, por exemplo, ganham vida se transformados em espaços lúdicos ou de convivência, com mesas, cadeiras ou bancos;
Promova a dança, a música e o teatro: atividades artísticas estimulam a criatividade e contribuem para um melhor entendimento sobre o mundo. O protagonismo dos jovens no ambiente escolar aumenta, eles lidam com emoções, ganham foco e autonomia.
Vá para o refeitório: Fora do horário de refeições, o refeitório pode abrigar reuniões de alunos, assembleias ou oficinas mão na massa. As árvores e sombras da parte externa da escola podem servir de palco para aulas não convencionais ou para momentos de descontração.
A cidade também ensina: é possível enxergar a cidade como um ambiente potencialmente educativo. Existem projetos, como o Rio e Ruas, dedicados a transformar a relação entre pessoas e cidades, e que podem servir de inspiração de como dar mais vida ao aprendizado.
É possível saber mais sobre espaços diferenciados por meio da publicação do Inova Escola sobre o tema.  O livro Viagem à escola do século XXI tem exemplos de escolas ao redor do mundo que estão trabalhando a criatividade em sala de aula. Conheça e inspire-se em novas práticas.

Quem faz

Na EE Prof. Fidelino de Figueiredo, em São Paulo, o professor Jacson Matos, vencedor do 19º Prêmio Arte na Escola Cidadã, transformou o ensino de artes na escola com uma iniciativa inovadora que propõe reflexões poéticas sobre o aqui e o agora por meio da arte contemporânea. Corpo, argila, tecidos e vários outros materiais são explorados nas aulas.
Já o professor Murilo Carvalho Rodriguesintegra a disciplina de artes à tecnologia e outros conteúdos, dando mais sentido ao aprendizado dos alunos da Fundação Escola Bosque Professor Eidorfe Moreira, que atende a população ribeirinha no distrito de Outeiro, em Belém (PA).
Em duas escolas públicas, em Salvador (BA) e Brasilândia (MS), os alunos foram estimulados pelas professoras a criarem dicionários que valorizam culturas marginalizadas, das periferias e de povos indígenas.
Os alunos da EMEF Maria Luiza Fornasier Franzin, em Águas de São Pedro, também exibem todo o potencial criativo e artístico em tradicionais mostras abertas à comunidade.
Conheça ainda o trabalho do professor Rodrigo Ciríaco, que incorporou o modelo de sarau às atividades educativas, por meio do grupo Sarau dos Mesquiteiros, levando mais vida à aprendizagem dos alunos.

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