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Por Maria Esther Valdiviezo
O brasileiro está assistindo mais filmes nacionais, foram lançados mais títulos e o número de salas de cinema no Brasil cresceu. Esse avanço em grande parte devido a duas ferramentas estatais: há 15 anos, foi criada a Agência Nacional de Cinema (ANCINE) e a Lei do Audiovisual de 1993, recentemente estendida até 2022. Ambas responsáveis por deixar o solo mais fértil para a indústria cinematográfica.
Apesar dos saldos positivos, ainda é pequena a participação do cinema brasileiro nas salas de cinema, isso quando há uma. Para deixar mais claro, vamos a alguns dados informados pela Ancine: em 2002, tínhamos 1600 salas, em 2016, 3.160. Na década de 70, chegamos a ter 3.500 salas de exibição. Mas também existe uma concentração, a região sudeste tem 54,7% das salas, enquanto a região Norte, 6,3%. Abaixo você pode ver um mapa com todos os complexos e salas de exibição.
Nas bilheterias, a escolha por um filme estrangeiro foi a decisão de 84,3% dos espectadores. Entretanto, mais pessoas escolheram um filme nacional em 2016. Fomos de 8% em 2002, para 16,7%. E isso está ligado ao aumento de produções nacionais, de 29 filmes em 2002 para 142 lançamentos em 2016. Podemos resumir que é um processo gradual, que ainda precisa de mais incentivos, mas que abriu as portas para novos cineastas, roteiristas, atores, produtores e demais profissionais.

Além da verba, o que é preciso

Quem quer ver sua obra de arte espalhada pelo Brasil hoje, recorre aos editais públicos do governo, estados ou municípios. São lançados diferentes tipos, alguns destinados somente a curtas, longas, documentários, temas etc. A partir dessa filtragem, é hora de mandar todos os documentos e/ou vídeos solicitados no edital. Se a obra for contemplada, pule de alegria! É entregue o dinheiro para produzir o filme. Pode parecer simples, mas como explica o diretor Luiz Saneti, “é necessário ter paciência e perseverança. É um mercado muito fechado, porém ele espera novas produções, novos núcleos de cinema”.
Mas a verba não é o único obstáculo que a maioria das produtoras brasileiras encontram. Após feito, a distribuição do filme e sua exibição não consegue concorrer da mesma maneira com os filmes estrangeiros, em especial os norte-americanos. Por isso, a maioria das distribuidoras dão preferência para comédias e filmes voltados para o público infantil, gêneros que tiveram maior bilheteria. E, claro, de grandes indústrias, como a Globo Filmes, e diretores e atores consagrados como José Padilha, diretor de Tropa de Elite.
O diretor Cacá Diegues, de filmes como “Bye Bye Brasil” (1980), em entrevista para os leitores da Globo Online ainda aponta outros problemas. “A ausência de um circuito popular de exibição, ausência de nossos filmes na televisão brasileira, ausência de uma política de exportação dos filmes, ausência de controle e ousadia no mercado de vídeo doméstico”, afirma.
Abaixo você pode ver os filmes brasileiros com maior bilheteria da história, segundo a ANCINE.
Para Luiz Saneti, “a descentralização de investimento do fundo setorial já é um caminho que abre as portas para muita gente criativa”. Ou seja,  as oportunidades estão saindo tão conhecido eixo Rio-São Paulo, criando novos polos cinematográficos que alimentam nossas produção nacional. 
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